Novo tratamento para depressão e gorduras saturadas liberadas para coração: novos estudos em debate!

Novo tratamento para depressão promete tratar a doença instantaneamente. Ainda, recém-lançado estudo de David Ludwig mostra que gorduras saturadas em dietas low carb são mais benéficas do que maléficas para a saúde cardíaca.

Dois estudos muito recentes me chamaram a atenção e vale a pena comentá-los. Gravo este vídeo hoje, logo após eu atender um médico cardiologista de São Paulo, que me motivou a gravar este conteúdo. O primeiro estudo foi publicado na Nature e apresenta o caso de uma mulher cuja depressão foi instantaneamente tratada com implante cerebral.

O segundo estudo, liderado por David Ludwig, é uma pesquisa do mais alto padrão de qualidade que comparou 3 tipos de dieta, mostrando que low carb com elevação de gordura saturada não representa risco cardíaco. Pelo contrário.

Então, vamos comentar. Meu nome é Juliana Szabluk e eu sou psicoterapeuta e consultora nutricional. Trabalho com saúde mental e uso a terapia nutricional cetogênica como uma ferramenta de regulação. Os links para os estudos estarão na descrição do vídeo. Caso tu esteja assistindo no meu site, o Revolução Keto, os links estarão no texto do conteúdo.

A cura da depressão: novo tratamento para depressão pode ser revolução da psiquiatria

Estudo publicado na Nature sobre depressão e tratamento com deep brain stimulation em depressão severa e resistente: Closed-loop neuromodulation in an individual with treatment-resistant depression (Outubro de 2021, Nature)

Começo pelo estudo da Nature, tanto porque pertence à minha área de atuação, saúde mental, quanto porque os comentários são mais breves.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia trataram um caso de depressão severa utilizando a técnica Deep Brain Stimulation, Estimulação Cerebral Profunda, já bastante consolidada em doenças neurológicas como Parkinson e epilepsia. Aqui, os pesquisadores expandiram a técnica para a psiquiatria, com resultados sem precedentes.

A deep brain stimulation nada mais é do que um implante que modula o cérebro, como um marca-passo cerebral. Este mecanismo vai equilibrar os estímulos – ou a falta deles uma vez detectados.

A questão aqui foi cruzar a complexidade da depressão, que atinge diversas regiões cerebrais e de forma variável. Mas, os pesquisadores conseguiram detectar um biomarcador neurológico, um tipo de padrão no cérebro que alerta para o surgimento das alterações. Assim, foi possível programar o dispositivo para que entrasse em ação nos momentos necessários.

A paciente, Krystal, teve melhoria quase que imediata do quadro de depressão severa. Os tratamentos atuais, com remédios, levam uma média de 4 a 8 semanas para terem efeito. Krystal teve os sintomas cessados durante os 15 meses com o implante.

Será este o futuro da psiquiatria? Espero que sim. MAS, milhares de perguntas se abrem após este caso emblemático, incluindo do âmbito ético.

Se existe uma regra no imaginário atual é extirpar as sombras do humano ao ponto em que se torna uma máquina. No mundo do chip da beleza, quem não vai escolher o chip da felicidade?

Tristeza, raiva, oscilações naturais são hoje demonizadas em vez de escutadas com respeito e faremos de tudo para mantermos os valores que regem esta sociedade sempre funcionando. Até onde dispositivos fantásticos para o tratamento de doenças severas não serão usados para manipular emoções?

Gosto da frase da psicanalista Elisabeth Roudinesco, grande defensora da melancolia no ser humano, que diz que a era da internação psiquiátrica não acabou: atualmente, estamos internados em químicos que nos alteram. No futuro, poderemos estar internados em nossos cérebros.

Então, a luta segue pela evolução dos tratamentos sim, mas acima de tudo, a luta é pela capacidade das pessoas de lidarem com sua própria humanidade. Esta dualidade interna, essência do ceticismo (ser cético até com as próprias crenças), deveria ser o espírito do cientista. É isso que motiva este meu comentário final ao menos.

Gorduras Saturadas liberadas para a saúde cardíaca em low carb

Estudo de David Ludwig, publicado na The American Journal of Clinical Nutrition: Effects of a low-carbohydrate diet on insulin-resistant dyslipoproteinemia—a randomized controlled feeding trial (Setembro de 2021, AJCN) 

Vamos ao segundo estudo, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, por um dos maiores pesquisadores de dietas de baixo carboidrato, David Ludwig.

A pesquisa segue o mais alto padrão de qualidade e comparou 3 dietas, cada uma com diferentes proporções de carboidratos e gorduras. Ludwig buscava desvendar o risco das gorduras saturadas para a saúde cardíaca.

O que ele encontra é que não apenas gorduras saturadas na dieta low carb não representam riscos, mas como reduzem riscos cardíacos ao melhorar um dos mais perigosos marcadores – que não é o LDL-C, mas sim a dislipidemia gerada a partir da resistência insulínica.

Aqui, farei o papel dual do advogado do diabo também. Quero trazer tanto o lado positivo quanto questões que devem ser propostas. Ou seja, não defendo lado algum.

O estudo foi conduzido da seguinte forma:

A primeira fase foi uma dieta hipocalórica e a segunda uma dieta de manutenção.

A fase de manutenção foi dividida em 3 dietas controladas. Os participantes foram randomizados para uma delas. Todas tinham 20% de proteína, mas diferiam em carbs e gorduras, sendo a gordura saturada a fonte de gordura escolhida.

  • Dieta 1, low carb: 20% carboidratos, 60% gorduras, sendo 21% gordura saturada
  • Dieta 2, carb moderado: 40% carboidratos, 40% gorduras, sendo 14% gordura saturada
  • Dieta 3, alto alto carb: 60% carboidrato, 20% gorduras, sendo 7% gordura saturada

Primeiro, o lado positivo: o estudo indicou que a dieta de baixo carboidrato e gordura saturada elevada melhorou a dislipidemia, incluindo o importante marcador lipoproteína A, que infelizmente não é pedido pela maioria dos médicos.

Não houve mudança no LDL. A conclusão foi que dietas de baixo carboidrato reduzem risco cardíaco independentemente do peso da pessoa.

Outros marcadores melhoraram na low carb mais do que nas outras 2 dietas, como triglicerídeos, pressão e inclusive a adiponectina, altamente estudada em tratamentos de obesidade. O “Hormônio da queima de gordura”, assim chamado por sua capacidade de regular glicose, insulina e até o painel lipídico.

Um ponto que vale muito ressaltar: o LDL aumentou em todos os grupos na passagem da fase de emagrecimento com hipocaloria para a manutenção. Autores atribuem ao aumento calórico. Mas, em termos gerais, a dieta low carb não significou aumento de LDL ou de colesterol total.

Agora, vamos ao lado obscuro: os pesquisadores reforçam que: “casos de elevação severa de LDL em dietas de baixo carboidrato já foram documentados, tipicamente envolvendo indivíduos com predisposição genética, em indivíduos que consumiram uma dieta mais restritiva do que aquela do nosso estudo, ou em pessoas que passaram por uma perda de peso rápida, a HIPERCOLESTEROLEMIA transitória.

Excluindo estes exemplos extremos, outros efeitos da dieta de baixo carboidrato podem atenuar ou contrabalancear qualquer risco associado com elevação moderada de LDL que pode ocorrer em alguns indivíduos.”

Estes outros riscos aos quais eles se referem são ligados à síndrome metabólica, claro. Mais claro ainda é que nem todos sofrem de síndrome metabólica. Então, nestes casos, fica difícil julgar e os pesquisadores não falam nada a respeito disso, o que é comum.

Ainda, a tal da predisposição genética que os estudos sempre apontam. Nunca é falado como estes genes afetariam o organismo como um todo. Oras, é muito ingênuo achar que um gene apenas eleva colesterol sem afetar outras funções do organismo. Nestes casos – e não são poucos, especialmente quando falamos de saúde mental – a elevação do colesterol é um problema? Quais outras funções são afetadas? São apenas marcadores que se modificam ou o risco de morte é de fato elevado e como podemos contornar tais riscos?

Como estas pessoas não são a maioria esmagadora, não há estudos dizendo como devemos proceder nestes casos. Este silêncio científico é perturbador.

O psiquiatra de Harvard Chris Palmer tem uma fala que me parece ao menos honesta: a dieta te salvou da epilepsia e tua preocupação é o LDL?

Mesmo assim, nunca foi pontuado como estes genes se manifestam para além do colesterol, nem se colesterol é um problema nestes casos.

De toda forma, aqui cabe discutir o que é esta dieta de David Ludwig. Porque cetogênica ou carnívora estão totalmente distantes da dieta low carb deste estudo. Até mesmo a hoje celebrada lowcarb de alta proteína está distante deste estudo, que utiliza 20% das calorias diárias vindas de proteínas.

A low carb de Ludwig utiliza 20% de carboidratos e 21% de gorduras saturadas. Em uma pessoa que come 1800 calorias diárias, isso significa que 360 calorias virão de carboidratos. Esta pessoa comeria 90g de carboidratos diários. Obviamente, é uma dieta de alta fibra.

Foi providencial eu atender um cardiologista com doutorado na área, entusiasta da low carb, para poder debater o papel da fibra alimentar no perfil lipídico. “Fundamental”, disse ele, enquanto conversávamos sobre a pegadinha da fibra que não apareceu em nenhuma notícia sobre este estudo divisor de águas.

Fui atrás de cada componente das dietas e é ali que eles apresentam a quantidade de fibras em cada uma delas. 25g de fibras diárias na low carb, 30g na moderada, and 35 g na alto carb para 2000 calorias diárias.

Oras, isso é exatamente o que a American Heart Association Eating Plan sugere como ideal. E atualmente um norte-americano come muito menos do que isso, uma média de 15g ao dia. Quem dirá os grupos alimentares que sugerem que fibra é inútil ou até nociva.

Fundamental, disse o médico com doutorado em cardiologia que me chamou para começar a cetogênica esta semana. Sim, fundamental, porque foi a chave da redução do meu colesterol de 500 para 200 em dois meses, mesmo com questões genéticas familiares gravíssimas. É a mesma fibra que trata constipação e que garante uma microbiota adequada ao painel lipídico, enfatizou o médico de São Paulo.

Então, vale salientar que muitas dietas apresentadas na internet seguem caminhos totalmente diferentes daqueles propostos por Ludwig ou pelos médicos da própria cetogênica. Apenas um alerta para como as notícias são colocadas, porque eu as recebi como uma reação justa às brigas com as instituições que dizem que uma gota de gordura saturada mata. No mesmo tom, surgem as manchetes tendendo para o lado oposto: comer manteiga e costela puras salvarão seu coração. O estudo jamais disse isso.

Sempre que vemos a frase ‘colesterol não importa”, precisamos ter a responsabilidade de largar as massas e refletir sobre individualidade e o conjunto. Histórico familiar, estado de saúde presente, apoa, apob, lpa (lipoproteína a), homocisteina, proteína c reativa, triglicerídeos, hemoglobina glicada, insulina, hormônios femininos e ir além de marcadores, vendo níveis de estresse, sono, vícios, atividade física desta pessoa.

***

Com relação à cetogênica, temos um estudo do neurologista Eric Kossoff e da MacKenzie Cervenka, ambos trabalham com cetogênica no Johns Hopkins, que analisou o impacto da cetogênica chamada Atkins Modificada em adultos. Discutimos esta pesquisa no meu grupo do Telegram, em um caso de um membro que ilustrou exatamente o encontrado pelos neurologistas.

A pesquisa demonstrou que pessoas na Atkins Modificada sofriam sim de elevação de colesterol nos 3 primeiros meses de dieta, mas que estes valores se ajustariam após 1 ano de cetose. Em suas aulas em cursos de cetogênica, o professor Kossoff se refere a dois anos de dieta para níveis se regularem, que foi o tempo que vimos no caso do membro do nosso grupo.

Ainda, temos uma cliente minha, que viu seu LDL saltar de 68 para 375 em cetogênica. Norte-americana, teve acesso aos exames de subfrações, confirmando o que alguns estudos demonstram: mesmo que o LDL se eleve nestas dietas, as partículas de LDL que se elevaram foram as grandes, que não representariam risco cardíaco.

Vale dizer que esta mulher tem problemas para digerir fibras, então, como é uma estudiosa há mais de uma década, se propôs a seguir, por sua conta e risco, em uma dieta com baixíssima fibra, mesmo com meu olhar preocupado sobre a regulação do estrogênio dela aqui. Sabemos que fibras regulam estrogênio e que dietas sem fibras podem levar mulheres a excesso deste hormônio.

Minha cliente fez os exames de subfração, elevou exercícios físicos e se comprometeu com sua saúde através de outras ferramentas, entrando para o grupo de estudos do Dave Feldman, que hoje se tornou uma autoridade em colesterol no mundo low carb.

Para concluir, vamos lembrar os grupos referidos pelo Ludwig quando abre exceções às suas conclusões:

“casos de elevação severa de LDL em dietas de baixo carboidrato já foram documentados, tipicamente envolvendo indivíduos com predisposição genética, em indivíduos que consumiram uma dieta mais restritiva do que aquela do nosso estudo, ou em pessoas que passaram por uma perda de peso rápida.”

É crucial apontar a perda de peso rápida aqui. Isso fecha novamente com a diretriz de jamais considerar o colesterol pontual de um único exame uma sentença às medicações, especialmente se há emagrecimento envolvido. As diretrizes oferecidas nos cursos apontam para exames de colesterol apenas 3 meses após ter atingido o peso adequado e mantido o peso estável. Talvez, seja mais, se levarmos em conta o estudo de Eric Kossoff. De toda forma, um único exame pouco diz sobre tuas mudanças fisiológicas em longo prazo. Cautela.

Por último, Ludwig fala das pessoas que seguiram dietas mais restritivas do que as recomendadas pelo estudo. Bingo. Ludwig e sua equipe conhecem a sociedade atual pelo jeito, porque é com isso que me deparo diariamente e meus alertas aos meus apoiadores são sempre nesta direção: a restrição excessiva e desnecessária.

O que vejo são pessoas seguindo dietas muito mais radicais do que a própria cetogênica clássica, cujos estudos já apontam incontáveis cuidados e riscos ao longo do tempo. Ainda, vejo uma união de dietas numa coisa só, em que a pessoa acaba ficando com pouquíssimas opções alimentares e uma imensa neurose nas mãos. O alerta de Ludwig foi dado: estas pessoas fazem parte dos 3 grupos que merecem cuidado. Aqui, tu está por tua conta e risco. Tenha certeza de que sabe o que está fazendo.

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