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Novos estudos comprovam o mito das proteínas em excesso [Dr. Bikman, Ph.D, explica a diferença da proteína na Low Carb, Cetogênica e Carnívora]

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O medo da proteína prossegue, não é mesmo? Justo. E eu prossigo avidamente lendo os novos estudos sobre excesso de proteína na dieta Low Carb e Cetogênica. Hoje, trarei algo que vai muito além do que eu mesma acreditava. Leia todo o conteúdo para compreender o que os mais novos estudos sobre o consumo de proteínas no jejum, na Dieta Low Carb, na Cetogênica e na Carnívora apontam.

Acredito que você cairá para trás como eu.

Este conteúdo veio a partir das minhas pesquisas sobre o medo do whey na cetogênica. Ele seria excessivamente insulinêmico, assim como a proteína. Comer proteínas demais fariam a insulina subir demais. Ok. Mas, quero entender de onde veio isso.

Buscando entender de onde surgiu o medo de whey, vi que a comunidade Paleo utiliza um estudo feito com diabéticos. Neste estudo, diabéticos receberam refeições com whey, claro, juntamente com nada menos do que PÃO BRANCO e PURÊ DE BATATAS. O resultado? Obviamente, a insulina aumentou.

Não indico o consumo insano de whey, muito menos de whey puro. Whey é altamente rico, mas não é um alimento de verdade e está isolado de nutrientes necessários. Na cetogênica, indico que o consumo de whey seja acompanhado de ovos e vegetais, como aponta Dr. Stephen Phinney

A imensa diferença entre alto e baixo carboidrato

Há muitos anos, me questiono sobre os benefícios do jejum para quem já está em cetose. É bem estabelecido o benefício do jejum para quem segue uma dieta padrão, mas me intrigo sobre estes benefícios para quem já segue dietas que mimetizam o jejum.

Quais seriam os benefícios de duplicar um procedimento? Seria redundante fazer jejum em cetose? Quais benefícios extras o jejum traria para nós?

Não tenho uma opinião, apenas um ponto de partida: organismos em Low Carb não podem funcionar da mesma forma que organismos que comem grandes quantidades de carboidratos.

Sobre o jejum em cetose, perguntei aos médicos norte-americanos e aos pesquisadores e nenhum soube dizer o que o jejum oferece a mais para quem já está em cetose. A busca prossegue.

Mas, agora surge esta nova questão: proteínas em excesso para dietas padrão são um problema, mas e para quem faz Low Carb? Mais ainda, para quem faz Cetogênica ou Carnívora?

É isso que resolveremos hoje.

Sempre que ficar em dúvida sobre proteínas, lembre da ótima Carnívora. Como adeptos da carnívora atingem corpos cetônicos tão elevados? Mais ainda, se proteína fosse um problema, os carnívoros estariam morrendo de diabetes pelas esquinas. Na realidade, o oposto está ocorrendo. 

Vamos recapitular antes de começarmos o Keto Expert de hoje:

  1. o medo da proteína é real quando fundamentado em estudos feitos com pacientes que comem grandes quantidades de carboidratos.
  2. não sabemos como estes mecanismos funcionam para adeptos da Low Carb, da Cetogênica e da Carnívora.

Bem, não sabíamos. Recorri a ninguém menos do que Benjamin Bikman para responder todas as nossas dúvidas.

Dr. Bikman é Ph.D especialista em doenças metabólicas. Acompanho o trabalho dele há algum tempo, desde quando produzi meu primeiro vídeo sobre o medo da proteína.

No Keto Expert de hoje, Benjamin Bikman fala no evento Low Carb Breckenridge 2018. O Low Carb Breckenridge é simplesmente a reunião dos maiores especialistas em Low Carb no mundo. É um evento de médicos para médicos.

Ficamos com Bikman a partir de agora. Ao final do conteúdo, você terá acesso ao vídeo desta palestra. Mas, sugiro fortemente que você assista a tudo dele. Ele trará estudos sobre os mais diversos mecanismos ligados à proteína e à insulina. Mas, não são pesquisas com pão branco e batatas, são as pesquisas que nos interessam, os estudos realizados com pessoas em dietas de baixo carboidrato.

Com vocês, Dr. Bikman.

Benjamin Bikman: Insulina x Glucagon – a relevância do consumo de proteína

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Tenho acompanhado as conversas na comunidade Low Carb sobre o papel da proteína. É preocupante ver o medo nas vozes das pessoas quando falam de proteínas.

Fiz disso uma espécie de busca acadêmica. Vou compartilhar minhas conclusões com vocês. Nosso ponto inicial:

  • Insulina é o hormônio do alimentar e armazenar (anabólico).
  • Glucagon é o hormônio do jejum e da queima (catabólico).
  • Insulina é o hormônio do anabolismo: pegar moléculas simples, juntá-las em algo maior e mantê-las.
  • Glucagon é o hormônio do catabolismo: pegar este complexo de moléculas e as quebrar. Geralmente, o glucagon as quebra para gerar algum tipo de energia que o corpo possa usar.

Insulina e glucagon afetam a maioria dos tecidos do corpo. A insulina afeta todas as células, já que todas as células têm receptores de insulina. Glucagon afeta quase todas as células.

Insulina e Glucagon agem de forma diferente nos tecidos

Vamos ver como estes hormônios funcionam em três tecidos relevantes para o metabolismo: os músculos, os adipócitos e o fígado.

Quando olhamos os tecidos, vemos como o funcionamento é diferente.

MÚSCULO | A insulina é totalmente anabólica no músculo, promovendo a síntese muscular e a glicogênese (armazenamento de glicose no músculo para ser utilizada depois).

O glucagon não tem efeito no músculo. Não há receptores para glucagon nos músculos, então, o glucagon não tem ação catabólica aqui. O glucagon não pode dizer ao músculo o que fazer.

ADIPÓCITOS | Já os adipócitos [células que armazenam gorduras e regulam a temperatura corporal], têm ambos os receptores, de insulina e glucagon.

Aqui, vemos a ação antagonista, yin e yang, entre estes dois hormônios. A insulina quer promover o crescimento dos adipócitos armazenando gorduras, glucagon quer o oposto, quer reduzir o adipócito através da lipólise. Este antagonismo prossegue no fígado.

FÍGADO | A insulina manda o fígado armazenar gordura e glicose e o glucagon está antagonizando isso, ele quer quebrar gordura e glicose, ele quer produzir glicose e também corpos cetônicos.

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Vemos que estes dois hormônios, insulina e glucagon, não têm uma ação comparável nestes diferentes tecidos. Se tivéssemos uma relação de 1 para 1 destes hormônios, a insulina mandaria no adipócito. Já no fígado, quem lidera é o glucagon.

O mesmo acontece em outros tecidos, o funcionamento é variável. Da mesma forma, precisamos explorar como os macronutrientes ditam os níveis de insulina e glucagon no corpo.

Isso não é tão claro quanto pensamos.

Como os macronutrientes atuam

CARBOIDRATOS | em qualquer situação, os carboidratos elevarão a insulina e reduzirão o glucagon.

PROTEÍNAS | o que os livros ensinam é que proteínas elevam tanto insulina quanto glucagon. É por isso que a comunidade Low Carb teme a proteína. Não acredito que haja fundamento para isso e estou trazendo dados para que possamos revisar como pensamos sobre proteínas em dietas de baixo carboidrato.

GORDURAS | quando consumidas puras, sem outros macronutrientes, as gorduras não elevam a insulina e elevam o glucagon. Por isso, a gordura é tão bem-vinda em quem defende os modelos de insulina como promotora das doenças crônicas.

Contudo, um destes macronutrientes depende do contexto em que está inserido.

O efeito insulinêmico da proteína é altamente afetado pelo status glicêmico. Proponho que sempre observemos a relação entre insulina e glucagon.

  • Se houver muita insulina para pouco glucagon, sabemos que os caminhos anabólicos serão predominantes (armazenamento).
  • Se houver muito glucagon para pouca insulina, sabemos que os caminhos catabólicos serão predominantes (quebra, queima).

Relação entre insulina e glucagon no jejum e na Low Carb

A relação entre insulina e glucagon é exatamente o que importa notar. É esta relação que interessa no jejum, por exemplo. O jejum é cada vez mais popular e, talvez, haja alguma justificativa para isso.

Às vezes, me preocupo com as pessoas pulando rapidamente sobre o jejum, sem informações suficientes sobre os benefícios e também os malefícios.

Mas, claro, há benefícios e eles são majoritariamente vindos da relação entre baixa insulina e alto glucagon. Falo da sensibilidade à insulina, a autofagia, a mitofagia (reciclagem de mitocôndrias), a lipólise e a ativação do tecido adiposo marrom.

Todos os benefícios do jejum ocorrem neste ambiente de baixa insulina e alto glucagon. Este é o estado de jejum. Também, é o estado das dietas de baixo carboidrato, que mantém a relação desta forma através do tempo. Na Low Carb, você tem os benefícios do estado de jejum sem de fato estar em inanição.

Insulina x Glucagon em três diferentes dietas

Vamos observar como o corpo reage em três ambientes diferentes: a dieta padrão, com alto carboidrato, o jejum e a dieta Low Carb. Vamos ver como a relação insulina x glucagon ocorre nestes ambientes.

JEJUM | Em um jejum extenso, acima de 24h, a relação entre insulina e glucagon é de 0,8, é muito baixa. Esta relação é indubitavelmente catabólica. É aqui que ocorrem a glicogenólise, a gliconeogênese, a lipólise e a cetogênese – já sabemos que a Dieta Cetogênica é uma dieta de catabolismo.

DIETA PADRÃO | Em uma dieta de alto carboidrato, a relação entre insulina e glucagon é de 4. Isso é um estado anabólico, temos a ativação de processos anabólicos, como o armazenamento de gordura, de glicogênio, e a inibição da autofagia e da cetogênese.

DIETA LOW CARB | Em uma dieta de baixo carboidrato, a relação entre insulina e glucagon é de 1,3. Um pouco mais alto do que o jejum, mas muito mais baixo do que a dieta padrão. Novamente, sabemos que, em dietas de baixo carboidrato ou de carboidratos muito baixos, temos a predominância do catabolismo.

Vamos ver o que ocorre quando adicionamos proteínas a estas três diferentes “dietas”.

A diferença do metabolismo de proteínas em três dietas

A comunidade que respeita o modelo da insulina deve se perguntar sobre até onde precisa se preocupar com o efeito insulinêmico de aminoácidos, como parte das proteínas que ingerimos.

Vamos ver exatamente como fica a relação entre insulina e glucagon quando adicionamos proteínas nos três ambientes que mencionei acima:

JEJUM | no jejum extenso, a relação entre insulina e glucagon era originalmente de 0,8. Após inserirmos proteínas, a relação CAIU para 0,5. Isso não é nada surpreendente. Isso já foi previsto em estudos com cães. O que concluímos é que a pessoa prossegue em um estado muito catabólico.

DIETA PADRÃO | na dieta de alto carboidrato, a relação entre insulina e glucagon era de 4. Quando inserimos proteínas nesta equação, o número sobe para 70 [para entendermos o whey com pão branco e batatas, não é mesmo?].

É uma elevação de 20x na relação entre insulina e glucagon. Aqui, entendemos por que a comunidade Low Carb se coloca desta forma sobre a proteína. É justificável, mas precisamos colocar as coisas no contexto correto.

DIETA LOW CARB | na dieta de baixo carboidrato, a relação entre insulina e glucagon era de 1,3. Quando inserimos proteínas, o número se mantém exatamente igual. Exatamente 1,3. A relação não é alterada com o consumo de proteínas.

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Por que existe diferença no metabolismo de proteínas?

Como diz o grande Roger Unger, em 1971, a relação entre insulina e glucagon é ditada pela necessidade de gliconeogênese.

Já que, em corpos adaptados à Low Carb, a gliconeogênese é importante, não podemos permitir que a insulina suba muito. Se a insulina subisse, reprimiria a gliconeogênese e a pessoa sofreria de hipoglicemia.

O que proponho aos meus clientes e leitores?

Esta foi a explicação do Bikman, que é a minha defesa e a minha percepção cotidiana sobre centenas de casos estudados e dezenas de casos tratados.

O que eu proponho é tranquilidade sempre. Ceticismo e curiosidade acima de tudo. Que a busca seja guiada pelo bem-estar do ser humano e não por uma vida de restrição desnecessária ou de medo de quebrar o estabelecido até aqui.

Dedico meus dias (e noites) à leitura extensa de estudos que saem cotidianamente. Mas, para além do estudo, confio muito naquilo que estamos fazendo enquanto comunidade. Confio muito nos adeptos da carnívora e nos estudos que eles têm realizado.

Aos pacientes, proponho que escutem seus organismos acima de tudo. Seu corpo e sua mente são seus mestres. Para uma escuta lúcida, abolir o medo é o primeiro passo. Não haverá um processo terapêutico, de cura, permeado pela cegueira do medo.

Espero, do fundo da minha sede pela descoberta sobre tudo que envolve o bem-estar humano, que você tenha o mínimo de calma ao se alimentar. Que nunca sinta medo de comer. Que nunca seja perturbado pela presença de algo que verdadeiramente te nutre. Que nunca sinta fome. Que nunca coloque seu corpo sob privação desnecessária.

Que seja o mais árduo combatente daquilo que rege nosso doente mundo atual, o medo.

Coragem e lucidez para cruzar as perturbações internas e externas. Farei o que for possível para colaborar nesta grande jornada rumo ao equilíbrio.

Meu agradecimento especial aos adeptos da Carnívora, que me geraram esta inquietação do bem. Gratidão. 

 

 

3 Comentários

  1. Comer carne do tanto que o corpo pede; um medo a menos, ufa!
    Sobre a relação insulina x glucagon, o que os níveis de glicemia podem indicar? Um dia fiz testes de glicemia em jejum e tambem depois de uma refeição cetogenica. Estava em 80, nas duas situações; alimentado e em jejum. Quando fiz jejum de cinco dias aconteceu o mesmo; a glicemia travou em 70. Isto significa niveis altos de glucagon? A glicemia neste nivel de 80, mesmo com quase vinte horas de jejum, significa que estou em cetose ou que saí dela? Ainda não tenho a maquininha pra aferir cetonas, estou pensando em comprar este mes.
    Estou concluindo o terceiro mes de cetogenica e tenho sentido fortes sinais de resistencia que não sei se são fisicos, psicologicos ou “dopacravings” – pode ser tudo junto. Sinto mais fome – ou vontade de comer – do que antes, e quando isto acontece, ataco as proteinas e as gorduras. Os nutricionistas que me acompanham dizem que estou comendo calorias muito abaixo da minha taxa metabolica, e que isto portanto é normal, porem, quanto a vontade de comer de madrugada, não vejo muito sentido neste argumento. Inclui alguns carbs na dieta; frutas e raizes; de acordo com a necessidade; tipo antes de treinar, contudo me sinto em platô, não estou sentindo aquele calor no corpo da gordura queimando nem o metabolismo acelerado, estou mais gelado e com menos energia -mesmo comendo mais vezes e mais carbos- estou mais yin que yang, não estou entendendo se faz parte da adaptação ou se meus demonios internos montaram uma barricada psicossomatica.

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