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Guia Cetogênica para mulheres: alertas fundamentais

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Pesquise “Cetogênica para mulheres” em fóruns para seu desespero. Você verá melhorias incríveis e sintomas assustadores que podem, ou não, persistir por muitos meses ou anos.

Ciclos irregulares, fluxo anormal, sangramento de escape, fim da libido, insônia, dores nos seios, enxaquecas, cólicas, queda de cabelo, inchaço, constipação e outros problemas parecem ser os mais comuns.

Estas histórias são usadas para dizer que a Cetogênica não é boa para mulheres, ao menos aquelas em idade reprodutiva – que precisaríamos de carboidratos para nossa saúde hormonal.

Contudo, o lado oposto existe e deve ser levado em conta: o número de relatos mencionando que a cetose salvou a TPM e os hormônios femininos é grande também e importa muito.

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Cetogênica é boa ou ruim para mulheres?

Veremos diversas questões sobre a Cetogênica para mulheres neste conteúdo. Vou resumir o post aqui e depois explicar tudo.

  • A Cetogênica pode ser a opção ideal se os seus problemas metabólicos são devidos à resistência insulínica e à desregulação da glicose geradas por causa de má alimentação.
  • A dieta deve ser conduzida com cuidado se você tem problemas no eixo HPA, nas adrenais, transtornos do humor, alimentares ou hipotireoidismo.
  • Cetose somada à restrição calórica, jejum, exercícios intensos e redução de carboidratos além do mínimo necessário dificilmente será uma boa ideia para mulheres em idade reprodutiva ou pessoas que sofrem de estresse crônico.
  • Alterações no ciclo menstrual levarão três meses para se manifestar. Isso porque os folículos levam 100 dias para amadurecer. Ou seja, você está bem hoje e sua restrição atual se manifestará apenas daqui 100 dias.

Será que eu me enquadro nisso?

No próximo conteúdo desta série sobre estresse e cetogênica, traremos um dos maiores endocrinologistas cetogênicos do mundo, Michael D. Fox, especialista em reprodução feminina.

Fox é o endocrinologista do site Diet Doctor e é a única pessoa que tentou definir o grupo de mulheres (e homens) que deve ter mais cautela ao optar pela cetogênica: as mulheres com “personalidade hipotalâmica”. Segundo ele, trata-se de uma epidemia que se eleva às dezenas de porcento anualmente.

Inscreva-se aqui no site para receber este próximo conteúdo e aprender muito mais sobre sua condição. Ative o sininho vermelho que fica no canto inferior direito do site. 

Vamos começar.

Sabemos que dietas afetam os hormônios significativamente. Isso serve para homens e mulheres, mas mulheres precisam estar ainda mais atentas. Hormônios femininos são especialmente sensíveis a mudanças. Nossos corpos respondem a fatores estressores “fechando o sistema reprodutivo”.

Assim como o jejum, a Dieta Cetogênica pode ser um fator estressor dependendo da abordagem e do histórico da mulher. Aqui, importam questões como redução de leptina, hipoglicemia, elevação de cortisol, adrenalina e noradrenalina, desregulação do hipotálamo, da pituitária e das adrenais e, consequentemente, do estrogênio, da progesterona e de todo sistema hormonal feminino.

Breve aula sobre ciclo menstrual

Se esta parte parecer chata, repense. Você precisa conhecer seu ciclo para avaliar quando seus sintomas se iniciam e quando se agravam. Utilize apps como Flo, Clue, Maia para monitorar exatamente o que ocorre (observe especialmente sua insônia, dores em juntas, seios, constipação, agressividade, letargia, tipo de corrimento, episódios de desejo por carboidratos).

Guia Cetogênica para mulheres: alertas fundamentais 3

Um ciclo menstrual saudável pode durar de 21 a 35 dias. O primeiro dia da menstruação (de fluxo mais intenso, pois os pingos não contam) marca o início da fase folicular, que dura até a ovulação.

Antes da ovulação, há picos dos hormônios luteinizante (LH), hormônio folículo-estimulante (FSH) e estradiol (tipo de estrogênio, produzido pelo ovário, majoritário na idade reprodutiva).

Após a ovulação, começa a fase lútea, aproximadamente pelos próximos 14 dias. LH, FSH e estradiol caem e a progesterona se eleva (esta mudança é o pesadelo de grande parte dos transtornos do humor). O estradiol sobe novamente na metade deste período. Se o óvulo não for fecundado, a menstruação virá e o ciclo reiniciará.

Toda esta rede complexa é administrada pelo eixo HPG: hipotálamo (no cérebro), pituitária (ou hipófise, também no cérebro) e gonadais (ovários).

Este eixo é fundamental na saúde hormonal feminina e está intimamente relacionado a outros dois eixos, o eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenais) e o eixo intestino-cérebro (gut brain axis).

Todos estes eixos precisam estar equilibrados para sua saúde hormonal feminina: sim, incluindo sua tireoide.

Ao longo do ciclo, flutuações de peso e retenção de líquidos são comuns, enquanto estrogênio e progesterona se alteram. Há mudanças na resistência insulínica e na glicose, sendo que mulheres diabéticas podem ter que ajustar medicações durante os ciclos. Isso é geralmente atribuído ao fato de que a progesterona, que é mais elevada na fase lútea, eleva também a resistência insulínica.

  • Progesterona elevada pode ser o motivo pelo qual muitas mulheres são retiradas de cetose durante este período pós-ovulação, mesmo sem mudar a dieta. Também, passam por um desejo incrível por carboidratos. 
  • A queda do estrogênio é uma das alterações mais complicadas para a saúde mental da mulher. Perceba como ela ocorre antes da ovulação e logo antes da menstruação. Registre seus dados em uma agenda ou app e observe como isso lhe afeta ao longo dos meses.

A Mãe dos Hormônios, o eixo HPA

Seus hormônios são regulados por três glândulas principais: hipotálamo, pituitária, adrenais (localizada sobre os rins).

Os três interagem para manter sua saúde hormonal em dia. Por isso, são chamados de eixo, porque são inter-relacionados. O eixo HPA é responsável não apenas pela saúde hormonal, mas também pelos níveis de estresse, emoções, digestão, sistema imunológico, libido, metabolismo, energia e muito mais.

Estas glândulas são sensíveis à quantidade de calorias e carboidratos ingerida, ao sono, à atividade física e diversos outros fatores, como telas, cafeína e outros fatores estressores conhecidos.

Ao longo do tempo, o estresse pode elevar o cortisol e a noradrenalina (adrenais) de tal forma, que eleva a pressão sobre o eixo HPA e o desequilibra. Em termos simples, coloca o corpo em modo de sobrevivência constante.

Se a pressão persistir, chegaremos à desregulação do eixo HPA. Atualmente, a medicina funcional convencionou chamar esta desregulação do eixo HPA de FADIGA ADRENAL, mesmo que de forma inadequada. Mas, falaremos sobre isso em um próximo post da série sobre estresse. Inscreva-se no site, porque sim, você pode estar sofrendo de desregulação ou “fadiga”.

Os sintomas deste quadro são cansaço extremo, imunidade baixa, estresse, enxaqueca, hipotireoidismo, inflamação, diabetes, transtornos alimentares, transtornos do humor, distúrbios do sono, constipação e intolerância a novos alimentos, queda de cabelo, amenorreia e muitas outras condições.

Dieta Cetogênica e o modo de sobrevivência

Uma das mais importantes críticas à Dieta Cetogênica é a de que ela colocaria o corpo em estado de inanição ou de sobrevivência, assim como o jejum prolongado. Isso levaria à desregulação do eixo HPA. Sim, isso parece ocorrer em um grupo de pessoas.

Evidências sugerem que dietas de alta restrição de carboidratos elevam os níveis de cortisol (1), agravando a situação, ainda mais quando a necessidade de carboidratos para triptofano e serotonina entra na equação.

Em consonância com minha prática, um estudo sugere que, mesmo sem perda de peso e sem deficiência calórica, níveis reduzidos de carboidratos podem elevar o estresse mais do que dietas de gordura e carboidratos moderados (2).

A elevação de cortisol, adrenalina e noradrenalina (adrenais) também pode levar ao quadro inicial de euforia na cetogênica, caracterizado por um grande sentimento de autoestima elevada (super-poderes), energia nas alturas, redução da necessidade de sono, aumento de atividade e velocidade etc. É a hipomania ou até mania. Tudo parece muito bonito, não fossem as consequências pelos próximos meses.

Este fator tem sido estudado por mim e pelo psiquiatra de Harvard, Chris Palmer. Estamos tentando descobrir quem são estas mulheres e como ajudá-las. Segundo Palmer, em muitos casos, é preciso retirar as pessoas da dieta. Segundo Michael D. Fox, tirar todos os fatores estressores e elevar calorias pode ser suficiente (veja no próximo post da série).

Palmer está elaborando um estudo sobre o tema que será compartilhado nos próximos meses. Comento o debate que tive com Palmer no vídeo sobre o tema.

Redução extrema de carboidratos pode gerar desequilíbrio hormonal: Anne Loucks

Ao cortar carboidratos e calorias excessiva e abruptamente, você pode passar por mudanças no sistema reprodutivo.

Um sintoma comum é a amenorreia hipotalâmica (três meses ou mais sem menstruar), gerada por redução de calorias, exclusão de carboidratos, perda de peso, estresse, trauma ou exercício excessivo.

  • Baixas Calorias: estudos demonstram que mulheres atletas (e as anoréxicas também) tendem a reduzir gorduras e elevar carboidratos para diminuir o consumo calórico. Estas mulheres tipicamente enfrentarão a amenorreia hipotalâmica (3).
  • Baixos Carboidratos: pesquisando este quadro, o trabalho da fisiologista Anne Loucks demonstrou que o hipotálamo responde tanto às calorias quanto ao consumo de carboidratos. Ou seja, ambas as variáveis importam para que o hipotálamo detecte um período de estresse e altere o sistema hormonal.

Na obra Reducing Stress Fracture in Physically Active Military Women, publicada pelo Instituto de Medicina dos EUA, Loucks nos aponta a explicação (4) e traz outros temas relevantes, como uma possível indicação para os ossos fracos em dieta cetogênica, outra questão que deve ser observada neste grupo de pessoas. Mantenha em mente que a amenorreia é apenas um dos sintomas do quadro. Traduzo abaixo a página 221 do livro:

Muitas mulheres que restringem sua dieta ou que se exercitam por boa forma ou emagrecimento passam por uma perda do ciclo menstrual. Nestas mulheres, os ritmos normais de estrogênio e de progesterona são ausentes, indicando uma completa supressão do desenvolvimento folicular, da ovulação e da função lútea (Loucks et al. 1989).

Em adição à infertilidade, estas mulheres deficientes em estrogênio sofrem de uma desmineralização óssea irreversível (Keen and Drinkwater, 1997), levando à osteoporose e a fraturas (Loyd et al. 1986; Myburgh et al. 1990; Wilson e Wolman, 1994). Entre mulheres atletas, a densidade óssea da espinha é negativamente proporcional ao número de ciclos menstruais perdidos (Drinkwater et al. 1990).

A possível causa destas desordens é a redução e a desorganização da secreção do hormônio luteinizante (LH) pela pituitária (Loucks et al. 1989), que leva à secreção desregulada do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) pelo hipotálamo no cérebro (Veldhuis et al. 1985). As influências ambientais e comportamentais sobre a regulação do GnRH são controversas e têm sido estudadas nos últimos anos.

As primeiras pesquisas sobre amenorreia em mulheres fisicamente ativas concluíam que a desordem ocorria devido à baixa gordura corporal (Frisch, 1984), mas muitos estudos observacionais acumularam evidência que comprovam a hipótese equivocada.

Mesmo assim, esta hipótese foi levantada novamente com a descoberta de que a leptina era suprimida em mulheres com amenorreia e que neurônios com receptores de leptina influenciam a secreção do GnRH.

Mais recentemente, contudo, descobrimos que a secreção da leptina respondia aguda e profundamente à energia disponível no organismo (Kolaczynski et al. 1996; Weigle et al. 1997) e ainda mais à quantidade de carboidratos disponível (Boden et al. 1996; Grinspoon et al. 1997).

Portanto, as pesquisas mais recentes investigam as desordens menstruais através de duas hipóteses:

A hipótese da baixa energia disponível diz que o sistema reprodutivo feminino é rompido quando as mulheres falham em consumir a quantidade necessária de energia (Wade e Schneider, 1992).

Uma variável desta hipótese é recente e afirma que a função reprodutiva feminina depende especificamente da glicose, já que o cérebro precisa de glicose como combustível (Foster e Nagatani, 1999; Wade et al. 1996).

A hipótese do estresse diz que o exercício ativa o eixo HPA e que os hormônios secretados por este eixo rompem o sistema reprodutivo.

Dieta, estresse e carboidratos para homens e mulheres

Para investigar as hipóteses, Loucks conduziu diferentes experimentos que excluiriam as variáveis: é caloria? É estresse do exercício? É carboidrato? Vejamos o que ela encontrou:

  • Como já demonstrado em estudos com mamíferos, o sistema reprodutivo feminino é muito mais afetado pelas restrições alimentares do que o masculino.
  • A redução do LH parece ser causada unicamente pela quantidade de calorias ingerida, não por estresse ou carboidratos.
  • Quando homens e mulheres passaram pelo mesmo experimento de baixa caloria, os únicos parâmetros capazes de diferenciar respostas masculinas e femininas foram as variáveis da leptina e a disponibilidade de carboidratos.
  • Outro trabalho excepcional de Loucks (5) investigou uma infinidade de mudanças hormonais femininas a partir de diferentes níveis de energia e de glicose, com a presença de corpos cetônicos, jejum e exercícios: “conforme a glicose cai, primeiramente, a insulina cai, então glucagon e adrenalina se elevam, GH se eleva e cortisol se eleva. A ativação destes específicos hormônios contra-reguladores reflete o grau de deficiência de glicose.”

Mantenha em mente a importância do LH para a produção do seu estrogênio caso a sua libido suma na Cetogênica ao longo dos meses. Ainda, a relação inversamente proporcional entre adrenalina e estrogênio, sobre a qual falaremos mais no próximo conteúdo. 

No que toca a Cetogênica, uma revisão da Keto terapêutica (6) (a mais restrita das versões da dieta, nas proporções 3:1 ou 4:1) observou amenorreia em um grupo significativo de mulheres, além de outros sintomas relevantes para este conteúdo como perda de cabelo, fadiga, enxaqueca.

Ainda, outro estudo (7) do neurologista especialista em cetose, Eric Kossoff, demonstrou que 45% das adolescentes sofreram de desregulação menstrual após 6 meses de cetogênica para epilepsia.

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Cetogênica em mulheres com resistência insulínica

Novamente, em consonância com minha prática, em mulheres com resistência insulínica, o quadro muda, como mencionei no início do post.

Uma meta-análise (8) revisou quatro estudos sobre low carb e menstruação em mulheres acima do peso. Todos demonstraram melhoria no ciclo e na ovulação. De seis estudos que investigavam níveis de hormônios reprodutivos, todos apontaram melhoria significativa.

Quando paramos para ler a meta-análise de fato, vemos claramente como os estudos investigados focam na insulina como causador das desregulações. Sabemos que síndrome do ovário policístico e hiperinsulinemia são um importante fator para desregulação hormonal feminina. Nada mais justo do que a Cetogênica ser a chave para melhorar o quadro nestes casos.

O estudo conclui: “Nossa revisão sugere que dietas de baixo carboidrato podem otimizar a fertilidade em alguns grupos clínicos, particularmente mulheres com sobrepeso e obesidade diagnosticadas com síndrome do ovário policístico. Neste momento, não há indicação sobre se uma dieta de baixo carboidrato é tão efetiva em mulheres obesas sem a síndrome, já que apenas um estudo foi encontrado com este grupo.”

Minhas clientes com comprovada endometriose, síndrome do ovário policístico, desregulação de insulina e glicose dificilmente passam pelo quadro descrito neste post. A resistência insulínica parece ser um fator definidor para uma boa resposta.

Nota: a resistência insulínica eleva a atividade da aromatase, enzima principalmente responsável pela produção de estrogênio. Há elevação de estrogênio nestas mulheres (chamada de dominância estrogênica na internet) e o que poderia ser deficiência pode se tornar uma bela regulação.

A Leptina importa

Além da resistência insulínica, há outro fator crucial que parece diferenciar a resposta à Cetogênica, como bem pontuou Loucks.

A leptina.

A leptina ficou conhecida como o “hormônio da saciedade”, pois ela alertaria ao hipotálamo que há energia suficiente no sistema e que estamos prontas para reproduzir: saúde hormonal à vista.

Pessoas obesas têm altos níveis de leptina, mas sentem fome constantemente devido à resistência à leptina. Isso ocorre, possivelmente, por causa da resistência insulínica.

Neste caso, o corpo libera altos níveis do hormônio, mas os receptores são incapazes de utilizá-lo. Por isso, a fome o tempo inteiro. Aqui, a Cetogênica é ideal, porque ressensibiliza os receptores. Ao perder peso, há redução de leptina e ser sensível ao hormônio é fundamental.

Contudo, pessoas que não sofrem de altos níveis de leptina podem enfrentar a seguinte situação: a redução de leptina avisará ao hipotálamo que há falta de energia (e/ou carboidratos) no sistema. O cérebro pode fechar o sistema reprodutivo e desequilibrar os ciclos menstruais, levando inclusive à amenorreia.

A leptina alerta o hormônio liberador de tireotrofina (responsável pela síntese e liberação do hormônio estimulante da tireoide) que o organismo está com baixa energia e é hora de alterar sua tireoide e fechar seu sistema reprodutivo para que você não morra (9).

A Cetogênica é conhecida por reduzir os níveis de leptina, assim como o jejum.

  • Lado positivo: trata a resistência à leptina em pessoas obesas com resistência insulínica.
  • Lado negativo: pode estressar o hipotálamo e desregular hormônios femininos.

De fato, um estudo publicado na Nature (9) chegou a demonstrar que os níveis de leptina são inversamente proporcionais aos de BHB no sangue. Mais BHB, menos leptina.

“Isso é consistente com resultados prévios de níveis reduzidos de leptina durante perda e manutenção de peso e mantém a hipótese de que o papel da leptina é mais sinalizar emergência sobre déficit energético do que ser um inibidor do apetite”, dizem os pesquisadores.

Fato. E emergência é tudo que não queremos aqui.

Vimos como jejum, restrição calórica, restrição de carboidratos podem alertar ao eixo HPA que há estresse no sistema. Vimos as consequências disso em médio prazo. Agora, vamos concluir.

Quais mulheres mais se beneficiam da Cetogênica?

Lembro que este tema será tratado no próximo post da série, mas vamos esboçar algumas questões. Em termos gerais, as mulheres que mais se beneficiam da Cetogênica são aquelas que se enquadram nos seguintes itens:

  • Obesidade ou sobrepeso
  • Epilepsia
  • Síndrome do Ovário Policístico
  • Miomas uterinos
  • Endometriose
  • Infecções Fúngicas
  • Resistência à insulina
  • Diabetes
  • Doenças neurológicas degenerativas como Parkinson ou Alzheimer
  • Certos tipos de câncer, como tumores cerebrais

Quais mulheres precisam ficar alertas?

Em termos gerais, aquelas que se enquadram nos seguintes itens:

  • Hiperatividade, física ou mental
  • Hipotireoidismo ou redução de hormônios femininos
  • Insulina e/ou glicose baixas ou normais
  • Ciclos irregulares ou amenorreia
  • Muitos meses ou anos em grande restrição de carboidratos
  • Grávidas ou amamentando
  • Estresse crônico (10)
  • Disbiose
  • Perimenopausa
  • Desregulação do eixo HPA

Estas mulheres não podem fazer Cetogênica? De forma alguma, mas elas precisarão ficar muito atentas aos sintomas, à energia diária consumida, aos carboidratos mínimos, à qualidade do sono e ao tempo de manutenção da dieta.

Fontes e referências:

(1) Effects of dietary composition on energy expenditure during weight-loss maintenance https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22735432

(2) Dietary macronutrient content alters cortisol metabolism independently of body weight changes in obese men. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17785367

(3) Nutritional and Endocrine-Metabolic Aberrations in Women with Functional Hypothalamic Amenorrhea https://academic.oup.com/jcem/article/83/1/25/2865070

(4) Leia o artigo de Loucks na íntegra: Reducing Stress Fracture in Physically Active Military Women

(5) Luteinizing Hormone Pulsatility Is Disrupted at a Threshold of Energy Availability in Regularly Menstruating Women https://academic.oup.com/jcem/article/88/1/297/2846067

(6) The ketogenic and related diets in adolescents and adults — A review https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1528-1167.2011.03287.x

(7) The Ketogenic Diet: Adolescents Can Do It, Too https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1046/j.1528-1157.2003.57002.x

(8) The Effect of Low Carbohydrate Diets on Fertility Hormones and Outcomes in Overweight and Obese Women: A Systematic Review https://www.mdpi.com/2072-6643/9/3/204/htm

(9) Expression of functional leptin receptors in the human ovary https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9398729

(10) Ketosis and appetite-mediating nutrients and hormones after weight loss https://www.nature.com/articles/ejcn201390

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juliana
juliana
3 meses atrás

Já faz algum tempo que comecei a me questionar sobre os impactos negativos da cetogênica no meu corpo, quase 2 anos sem menstruar, sem estrógeno e progesterona, enxaqueca, perda de memória, queda de cabelo, insônia, meu corpo inflamado o tempo todo e cada vez mais intolerante a qualquer alimento que antes era inofensivo. Achei que fosse questão de tempo e adaptação e como se não bastasse insisti e fui para o jejum achando que ia conseguir solucionar alguma coisa mas só consegui ganhar gordura localizada por incrível que pareça. Que alívio ler tudo isso!!!saber que não estava louca e existe uma explicação!!!!

Quéren
Quéren
3 meses atrás

Nossa, excelente artigo. Parabéns Juliana! Depois do último vídeo que você publicou, e que acompanha esse artigo, eu fiquei no pé do site para ver as novidades sobre a cetogênica para as mulheres. Na verdade, depois da tua discussão com a doutora Koenen eu não vi mais nenhuma outra falando sobre a cetogênica conforme as fases do ciclo menstrual. A própria doutora Koenen falou umas duas vezes “por alto” em outros vídeos (com o atletas lowcarb e com uma ginecologista que trabalha com ela num sistema de equipe multidisciplinar). A grande dúvida que resta é como manipular a dieta e isso demanda uma autoanálise cuidadosa, além de bom conhecimento e manejo dos alimentos. Amo de paixão a cetogênica e sinto que estou sendo desafiada dentro dessa estratégia. Eu já pus essa questão a muita gente e não obtive resposta.

Quéren
Quéren
3 meses atrás

Até para você saber no Pubmed, é preciso ler bastante. Sei que é preciso deixar a preguiça de lado e colocar as mãos no arado, mas as informações médicas às vezes são muito complexas e você se sente cansada para ter que harmonizar todas as informações. Testar e testar. Quando cheguei aqui já tinha vindo de várias e várias propostas alimentares, e eu não sou caso isolado. Muitas vezes destruímos o nosso organismo tentando um “bem estar” e atirando pela culatra e não podemos culpar a cetogênica pelo desequilíbrio. Eu já vinha me interessando nos trabalhos da doutora Julia Ross (que conheci através do teu trabalho) por causa do sintoma. E fico feliz porque já me pergunto se o que procuro é a causa ou a consequência. O que podemos fazer é te agradecer e ir em busca do conhecimento. Cuidar do nosso corpo que é templo. Nós mulheres somos muito complexas por dentro e fora e esse trabalho que… Ler tudo »

May Ishii
May Ishii
3 meses atrás

Que delícia seria se todo problema fosse a insulina né amiga? Seria tão fácil de resolver, rs. Além de te apoiar no Catarse e compartilhar sem dó o seu trabalho, como eu posso te agradecer pelo conteúdo tão rico que você não cansa de publicar? Obrigada por existir e nos ensinar muito mais do que cetogênica, mas sim, sobre a Vida. Muito obrigada.

Suzana Costa
Suzana Costa
3 meses atrás

Nossa Juliana, esse material explica muita coisa, fazendo muito sentido para mim. Mas sinceramente não faço ideia de por onde começar a arrumar o meu caos metabólico (rs). Hoje, aos 46 anos, faço reposição hormonal por conta de uma menopausa precoce aos 42 (que agora acho ser fruto de toda mutilação alimentar que cometi ao longo dos anos buscando uma boa alimentação) , e, sem a reposição acho que realmente teria surtado. A falta do estrógeno me derrubou. Percebo que meu nível de irritabilidade cresce quando fico uns dias sem usar o hormônio. Mas é muito difícil encontrar profissionais que pensem no todo feminino. Lembro-me de quando as coisas ficaram realmente complicadas para mim em 2018, os dois endócrinos que procurei me deram fórmulas para inibir o apetite associadas a dietas ainda mais restritivas. Foi frustrante. A reposição hormonal me deu um norte e um sopro de vida, e em 2019 conheci a cetogênica, através do seu incrível e incansável… Ler tudo »