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Dieta Cetogênica Terapêutica para epilepsia [ebook grátis + links com recursos]

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3% da população mundial sofre de epilepsia. 30% destas pessoas não respondem às medicações. Neste conteúdo, quero falar um pouco com você sobre o que é a epilepsia e como a Dieta Cetogênica Clássica surgiu como uma opção de tratamento.

Epilepsia é quando há uma desorganização dos sinais cerebrais. Há dois tipos: epilepsia focal e a epilepsia generalizada.

A focal é divida em simples e complexa. Na focal simples, o paciente não perde a consciência e, frequentemente, apenas tem sensações diferentes no corpo.

Na epilepsia focal complexa, o paciente pode perder a consciência. A epilepsia focal acontece em apenas uma área do cérebro. A epilepsia generalizada acontece em mais partes do cérebro.

Tratamentos para epilepsia 

A primeira opção de tratamento para epilepsia são os remédios antiepilépticos. Há também tratamentos cirúrgicos, mas que dependem de onde a crise está se originando. A cirurgia só pode ser feita se ocorrer em uma parte focal do cérebro.

Ressecção: é possível fazer uma ressecção do cérebro. A cirurgia remove a porção do cérebro onde as convulsões se originam — normalmente o lobo temporal.

Corpus calosotomia: não remove as partes do cérebro que causam as convulsões; mas sim interrompe o caminho das convulsões e as confina em uma das partes do cérebro.

Hemisferectomias: realizadas apenas quando há certeza de que isso não acarretará em mudanças na vida do paciente. Essa cirurgia envolve a remoção de quase todo o lado do cérebro responsável por causar convulsões.

Estimulação nervosa: é um mecanismo subcutâneo ligado ao nervo vago, que envia pulsos para prevenir crises através da neuroestimulação responsiva. O mecanismo é colocado abaixo do crânio e detecta atividade anormal do cérebro, enviando um pulso elétrico para impedir que a crise ocorra.

Terapia térmica intersticial do laser (LITT): uma cirurgia minimamente invasiva que utiliza calor para remover a região onde as convulsões começam. Apropriado para algumas crianças com convulsões focais.

Por último, há a Dieta Cetogênica.

Todas as crianças que não responderam aos tratamentos deveriam ter direito à dieta Cetogênica. Infelizmente, grande parte das famílias sequer sabe a respeito da Keto para epilepsia.

Como a Cetogênica funciona: hipóteses

Ninguém sabe ao certo como funcionam os mecanismos da Cetogênica no cérebro, o que ela faz para reduzir ou frear as crises.

Inicialmente, todas as teorias giravam em torno da presença de corpos cetônicos, que cruzam a barreira do cérebro e fornecem um combustível constante, reduzem a excitabilidade dos neurônios (GABA), ou ainda geram uma ação antioxidante no cérebro.

Recentemente, terapias nutricionais passaram a alcançar benefícios significativos sem a presença de corpos cetônicos. As teorias e estudos, então, passaram a observar se a melhoria seria devido à redução da glicose e da insulina.

Outras questões a serem analisadas: aumento da glutationa, aumento da leptina, aumento dos PUFAs, o papel do ácido decanóico (cáprico, C10, encontrado no MCT e usado na chamada dieta do MCT, tema que abordarei em um futuro breve aqui no site).

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Quando a Dieta Cetogênica pode oferecer os melhores benefícios

Existem condições específicas que devem ser observadas pelos médicos para saber quando o protocolo cetogênico oferecerá mais chances de benefícios. Estas condições foram descritas em um grande estudo da John Hopkins, que reuniu os maiores especialistas em neurologia e nutricionistas de 9 países, em 2008. São elas:

  • Polimorfismos no Glut1, Síndrome de Doose, Síndrome de Rett, Síndrome de Dravet, Síndrome de Kleffner, espasmos infantis, Doença de Lafora (DL), Panencefalite esclerosante subaguda (PESS – encefalite de Dawson), desordens mitocondriais, autismo, neurotrauma, câncer cerebral.

Em algumas destas questões, especialmente o polimorfismo do Glut1 (relacionado à glicose), se a Dieta Cetogênica for introduzida no estágio inicial, ela pode prevenir retardo mental e epilepsia intratável, pois o cérebro estará utilizando corpos cetônicos e não glicose, um combustível que estes pacientes não podem usar.

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a Dieta Cetogênica no Brasil.

Quando a Cetogênica não é indicada

Existem desordens que devem ser levadas em conta na hora de escolher ou não a Dieta Cetogênica como tratamento para epilepsia. Caso o paciente tiver as seguintes desordens, a Keto pode não ser o melhor caminho (inclusive, pode ser fatal):

  • Deficiência de carnitina, defeitos de beta oxidação de ácidos graxos, deficiência de piruvato carboxilase, porfiria. Faça os exames para confirmar inexistência destas condições antes de entrar no protocolo.

História da Dieta Cetogênica para epilepsia

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Charlie tinha 100 crises diárias. Após 5 anos na Dieta Cetogênica, seu cérebro se restabeleceu. Hoje, ele roda o mundo educando as pessoas.

Nos textos de Hipócrates (Corpus Hippocraticum), há menção do jejum para tratamento de crises, mas claro que jejum para sempre não é uma solução.

Na Bíblia, os discípulos levam uma pessoa com crises a Jesus. Ali, é dito que jejum e oração podem salvá-la.

Na literatura médica, de 1900 a 1920, há muitas menções sobre o jejum para a epilepsia.

Então, em 1921, Dr. Wilder, um médico da Clínica Mayo, investigou o que acontecia com o corpo humano durante o jejum e o que mais lhe chamou a atenção foi a produção de corpos cetônicos.

Ele gerou a hipótese: e se eu criasse uma dieta que imitasse os efeitos da inanição? Possivelmente, isso teria os mesmos resultados e seria uma solução muito mais factível do que fazer pacientes morrerem de fome.

Foi o primeiro protocolo cetogênico, que ainda é utilizado hoje no tratamento da epilepsia. É a chamada Cetogênica Clássica.

Na literatura médica, há muitas menções desta Dieta Cetogênica de Wilder, entre 1920 e 1930. De repente, as menções somem, por causa da descoberta das medicações.

Nutricionistas passaram a estudar a dieta cada vez menos. A Keto parou de ser ensinada e até mesmo considerada como uma alternativa viável à doença.

As crianças introduzidas à dieta, na época, começaram a ter resultados ruins, porque os profissionais que a aplicavam não estavam preparados. De 1950 a 1990, muito pouco foi falado sobre a Cetogênica.

Em 1993, tudo mudou. Um produtor cinematográfico famoso, Jim Abrahams, teve Charlie, um nenê de 20 meses de idade que sofria de epilepsia.

Charlie tinha epilepsia refratária ou intratável. Ou seja, não respondia aos tratamentos padrão. Charlie usava três medicações. Charlie fez cirurgia cerebral. Charlie ainda sofria 100 crises diárias.

Abrahams foi até o hospital John Hopkins, que lhe ofereceu uma tentativa com a Cetogênica Clássica.

Em dois dias, Charlie parou de ter crises. Em um mês, o pequeno Charlie largou todas as medicações.

Charlie ficou na Cetogênica Clássica por cinco anos. Seu cérebro se restabeleceu e, a partir dali, ele pôde comer normalmente. Ele segue sem crises até hoje e roda o mundo falando sobre seu tratamento.

Desta história, surgiu o filme Pela Vida do Meu Filho (1997), estrelando Meryl Streep.

Você assiste à história de Charlie abaixo (filme na íntegra, em inglês)

 

Após o filme, a Cetogênica terapêutica retornou com tudo. Nosso agradecimento a Abrahams, que fundou a Charlie Foundation para promover a Keto.

A Charlie Foundation provê recursos para pais, treinamento para nutricionistas e financia muitos estudos. Por favor, divulguem o trabalho deles para estas famílias.

Acesse o site da Charlie Foundation: ali, você encontra receitas cetogênicas, produtos keto, recursos educacionais e verdadeiras aulas sobre a dieta.

Tratamento com Dieta Cetogênica no Brasil

No Brasil, temos o Instituto Ceto Brasil João e Maria, que indico a todas as pessoas com epilepsia que me buscam. Estou muito feliz que o Instituto tenha auxiliado estes seres com carinho.

ebook gratuito dieta cetogênica pdfO Instituto lançou um ebook de Dieta Cetogênica para epilepsia refratária a quem quiser conhecer mais sobre os protocolos.

É o ebook ABC da Dieta Cetogênica, uma leitura interessantíssima a todos que querem utilizar a Keto para tratamentos de distúrbios neurológicos.

Ali, você encontra cálculos, passos iniciais, suplementações, Atkins modificada e um momento muito delicado do processo de tratamento, a descontinuação da dieta.

9 Comentários

  1. Seu trabalho é exemplar. Parabéns. É muito bom contar com profissionais como você que doam tanto conhecimento. Obrigada.

    1. Amo muito o que faço, Maria. E o potencial da Cetogênica para tantas doenças sérias é o que mais me fascina. Lembrando que sempre digo que meu trabalho começa com o profundo desejo de reduzir o sofrimento humano. Para isso, é preciso ir bem, bem além. Muito obrigada pelo carinho. Significa muito para mim e motiva o projeto a crescer cada vez mais.

  2. Oii! Estou praticando a keto e o JI a uns 9 meses comecei inicialmente para perda de pesa após minhas três gestações (tenho uma de 4,uma de 2 e um menino de 1) perdi bastante peso ,ainda falta um pouco !mas a uns dois meses minha compulsão,irritabilidade, cansaço emocional e ansiedade pioraram! Fui para a psicóloga e fui diagnosticada com stress patológico e estou tratando com topiramato! Não tenho conseguido praticar o jejum pq tem me causado mais ansiedade e tenho saído várias vezes da dieta ! Fui na nutricionista e ela me passou uma dieta completamente fora da keto afirmando que tirando os carboidratos agora de mim pioraria a compulsão e meu stress! Fiquei completamente perdida

    1. Ah, então, Daiane. Tu me falou algumas coisas aí que reforçam minhas defesas. Sou a única pessoa no Brasil que dirá que jejum causa exatamente isso que tu mencionou, certo? A cetogênica que eu faço para pessoas com transtornos de humor, instabilidade e compulsão é bem diferente do que eu coloco em certos vídeos. Ainda, uso suplementos que substituem o topiramato ou que podem ser usados junto com ele.

      Não te conheço e não sei nada do que tu fez, além do jejum. Mas eu já diria para observar eletrólitos, o equilíbrio neurológico, começar a comer mais e comer limpo: é comida de verdade. Não seja tão restritiva, não conte nada, mude a rotina da família, os alimentos na casa, livre-se dos conflitos desnecessários com os alimentos que estão nos armários e geram tensão.

      Isso é apenas a ponta do iceberg.

      Acho que tu não precisa ficar na cetogênica. Dá uma chance para tua nutri. Mas, se algo der errado com ela, volta e me chama para fazer um tratamento correto ok? Afinal, é injusto tu fazer a cetogênica sozinha e dizer que deu errado e a outra dieta tu ter acompanhamento 🙂

  3. Ola Juliana Zabluk te descobri por acaso e to achando bem interessante os teus videos e tudo o resto.Nao moro no Br mas gostaria de saber da tua opiniao porque tenho minha mae com Alzhaimer e ja falei com o medico dela a respeito do oléo de coco ou um outro suplemento pra dar um pouco mais de energia pra ela, tambem pensei se seria bem tentar mudar a alimentacao pra uma low carb ou mesmo cetogenica .Gostaria so de uma opiniao sua; desde ja agradeco

    1. Alzheimer é cetogênica terapêutica, Raquel. Não sei dizer se apenas dar MCT (MCT, não óleo de coco) para ela em uma dieta com açúcar bastaria. Possivelmente, não, porque não se trata de dar uma energia a mais, trata-se de mudar o metabolismo do corpo e fazer com que este funcione com corpos cetônicos. Precisamos de corpos cetônicos elevados cruzando a barreira do cérebro.

  4. Veja se eu estou certa. Se a dieta melhora a qualidade de vida das pessoas com epilepsia refrataria então a epilepsia que são em parte controlada por medicamentos também seriam tratáveis com a dieta? Tenho uma filha com 20 anos que começou a ter convulsões e esta sendo medicada com o kapote só que os efeitos colateral está fazendo ela engordar fora a memória que também esta comprometida.

    1. Olá, Loide! Sabe dizer qual a desordem específica da tua filha? Há desordens com 90% de eficácia na cetogênica e há desordens com 20% ou mínima melhoria. Testar a cetose em si não gera riscos, não há nada a perder, apenas o dinheiro dos MCTs, por exemplo. Contudo, sempre alerto: o tempo mínimo na dieta estrita (que é a para epilepsia) precisa ser de no mínimo três a seis meses para avaliar resultados, ok?

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