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Compulsão alimentar? Dr. Rodrigo Bomeny explica onde está o erro da sua dieta

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Em vídeo para a Associação Brasileira de Low Carb, o endocrinologista Rodrigo Bomeny aborda uma das chaves sempre repetidas aqui, no Revolução Keto: a quantidade de proteínas na Dieta Cetogênica. Em sua fala, Bomeny consegue, de forma e objetiva, explicar como e porque a proteína gera a saciedade que você sempre buscou – ao ponto em que começaremos a questionar sua suposta compulsão alimentar.

Atendo, majoritariamente, pessoas com distúrbios alimentares. São pessoas que se definem como compulsivas. Em grande parte dos casos, há um equívoco nesta percepção, porque ajustes simples em três eixos demonstrarão ao cliente que não havia compulsão. O que havia?

  • Alimentação errada (nutrição)
  • Cotidiano mal estruturado (vida)
  • Mente incapaz de aceitar os próprios limites pessoais (ser)

Apenas estes três eixos representam 99% das causas da compulsão.

No que concerne à parte alimentar, a proteína é o principal fator do mecanismo de appestat, o mecanismo de regulação de saciedade, como explico no vídeo sobre manipulação do peso em Dieta Cetogênica e ao longo de toda série sobre platô e emagrecimento em Dieta Cetogênica.

O que acontece? Se você tem um diagnóstico de compulsão alimentar, a você será recomendada uma dieta com baixa proteína (e gordura, obviamente, já que grande parte das proteínas são intrinsecamente gordas).

Para reduzir proteínas, você precisará elevar seus carboidratos ou morrerá de fome, entrará em modo sobrevivência e colherá os frutos desta tragédia. Pois então: aqui, estaria selado seu destino como alguém que É compulsivo.

Grande e letal erro. Não é possível definir o grau de transtorno alimentar de uma pessoa enquanto seu mecanismo de appestat está sendo desequilibrado pela dieta que ela consome.

Minha dieta na internação psiquiátrica para bulimia e anorexia era composta de frutas, pães integrais, frango e bolacha doce com leite à noite. Hoje, 17 anos depois, enxergo como os médicos me colocaram em uma jaula sem saída. 

Em sua fala, Bomeny explica esta regulação com base no conceito de ecologia alimentar. Abaixo, você lê a fala do médico. Ao final do conteúdo, poderá assistir ao vídeo, sendo redirecionado ao instagram, já que vídeos desta mídia não podem ser incorporados a sites.

Logo após Bomeny, deixo minhas observações especificamente sobre compulsão alimentar. Boa leitura a todos!

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Compulsão alimentar? Dr. Rodrigo Bomeny explica onde está o erro da sua dieta

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“O que é ecologia nutricional? É a ciência que estuda o que um ser vivo, um animal, precisa comer e o que ele tem para comer no ambiente.

Todo ser vivo tem uma meta nutricional tanto de proteína, uma quantidade de proteína que ele precisa comer ao longo do dia, e uma meta de energia que ele precisa consumir no dia. Esta meta será variável de acordo com a espécie. Ratos terão uma, seres humanos terão outra, macacos outra. Mas, todos os seres vivos têm esta meta, que é replicável, é igual para todos.

Supondo que a gente tivesse um alimento perfeito, o que aconteceria? Este bicho seria capaz de comer somente este alimento e atingir tanto sua meta de proteína quanto a de energia. Mas, na prática, isso não existe. A gente não tem alimentos perfeitos no meio ambiente.

Há alguns alimentos com mais energia e outros com mais proteína. É isso que os animais fazem na prática, no dia a dia, de maneira inconsciente. Eles vão utilizando estes alimentos complementares até atingirem a meta de energia e a meta de proteína.

A grande questão é: e se a gente viver em um ambiente desbalanceado, onde a gente tem alimentos com maior quantidade de energia ou alimentos com uma maior quantidade de proteína? Como estes animais reagiriam a esta mudança no ambiente?

Quando eu pego um rato e o coloco em um ambiente que há somente ração com baixa concentração de proteína, o que vai acontecer? Este rato vai comer ração, vai comer ração, e veja que ele está comendo a mesma quantidade de energia, mas com menos proteína, porque esta ração tem menos proteínas. Então, ele vai comendo e comendo e vai chegar um momento em que ele terá que tomar uma decisão.

Ele já atingiu a quantidade de energia que ele precisa para sobreviver, mas ele não atingiu a quantidade de proteína, ele está com déficit protéico.

O que o rato faz nesta situação?

Ele fica com déficit proteico e para de comer, já que ele atingiu a quantidade de energia ou ele continua comendo porque ele não atingiu a quantidade de proteína?

Ele faz o que todos os animais fazem: ele continua comendo, continua comendo até atingir a meta de proteína. Ou seja, ele come mais energia do que o necessário, mas ele não fica com déficit proteico.

E o que acontece com toda essa energia que ele comeu a mais? Ele simplesmente acumula isso na forma de gordura.

Veja como este mecanismo explica muito do excesso de peso da população, porque a dieta recomendada é pobre em proteína. Basicamente, massas, pães, grãos, são alimentos que têm uma densidade proteica muito baixa. Isso faz com que as pessoas continuem comendo, comam uma quantidade maior de energia para que elas atinjam uma maior quantidade de proteína. E o que é energia na prática? É carboidrato e gordura.

Agora, e o oposto? E se eu pegasse o ratinho e colocasse em uma dieta com mais proteína? O que aconteceria? Esse ratinho vai comer mais proteína e menos energia. Chegará o momento em que ele vai atingir a quantidade de proteína, a meta de proteína dele, mas não vai ter atingido a meta de energia.

Aí, ele vai ter que decidir novamente: o que faço?

Paro de comer, porque já atingi a minha quantidade de proteína, mas não atingi a quantidade de energia, ou continuo comendo porque eu não atingi a minha meta de energia?

Todos os animais param de comer.

Ou seja, quando você atinge a meta de proteína, você faz um déficit energético sem esforço, não é forçado. Seu corpo diz para você fazer um déficit energético e isso é extremamente importante para quem quer emagrecer.

Para emagrecer, ter um déficit calórico é necessário – ele não é necessariamente o objetivo principal, porque, se você força um déficit calórico, provavelmente o seu corpo vai reagir contra, ele vai diminuir metabolismo, ele vai aumentar a fome e isso vai facilitar o efeito sanfona em longo prazo.

Agora, se isso acontece de maneira inconsciente, porque seu corpo está falando ‘pare de comer, eu já estou saciado, eu não quero mais, eu estou sem fome’ e você pula uma refeição, é maior a probabilidade de você conseguir manter isso em longo prazo, pelo menos do ponto de vista biológico, não levando em consideração o ponto de vista comportamental.”

Ecologia nutricional, appestat e compulsão alimentar

Ok, a fala de Rodrigo Bomeny resume exatamente minha linha de atuação alimentar com meus clientes que sofrem de transtornos quaisquer (obesidade, bulimia, compulsão, remédios para emagrecer etc). Aumentar proteínas e parar de lutar contra sua natureza é o primeiro passo para ajustar transtornos alimentares.

Para anorexia, há a liberdade de saber que se comerá sem elevar um grama na balança. Enquanto as proteínas vão reconstruindo o cérebro, há tempo para trabalhar os outros eixos. Para bulímicos, há a liberdade de comer sem culpa. Para compulsivos, há a liberdade da saciedade. Para todos, há a reconstituição dos danos gerados pela deficiência proteica em longo prazo.

Porém, como bem disse Bomeny, há o aspecto comportamental. Ou seja, você pode elevar proteínas e descobrir que, talvez, sua questão não era apenas o mecanismo fisiológico do appestat. Tudo bem. Respire, isso não é nada incomum.

Como diz a nutricionista Amy Berger, “parabéns a todos que comem apenas por fome ou necessidades fisiológicas. Eu como por infinitos motivos.”

Aqui, quero que você mantenha em mente que falávamos de três eixos básicos para a compulsão alimentar. No vídeo de Bomeny, abordamos um deles.

Mudar a alimentação é, sem dúvidas, o primeiro passo. Por quê? Porque a definição de sofrimento que mais gosto é a pretensão de que o homem vencerá a natureza.

Parar de dar o combustível necessário ao seu corpo é a forma mais refinada de domínio da natureza, um pensamento óbvio à mania de grandeza e poder que usualmente caracteriza os transtornos alimentares (preciso fazer tudo e posso assumir tudo).

Como sempre vemos, transtornos alimentares são definidos pela incapacidade de aceitar as limitações pessoais. A mais fundamental delas é se aceitar humano, animal: um ser que envelhece, morre, se cansa e precisa de muito mais tempo do que a sociedade atual prega. Sem esta aceitação, todas as outras questões podem ir para o lixo.

Ainda, lembre-se que não existe saúde no medo e no aprisionamento. Enquanto você sentir culpa e sofrer por ter alimentado seu corpo, não poderemos falar de saúde. Ajuste sua dieta com este passo inicial e mantenha em mente que os infinitos outros motivos para comer, sobre os quais Amy Berger fala, possuem uma lógica tão simples e bem estruturada quanto a fala de Bomeny sobre a alimentação.

Acredite: existe ecologia nutricional, ecologia da mente e da vida. Todos sabidos há milhares de anos.

Ou seja, você não tem uma doença, você só acreditou que poderia superar sua própria espécie. Agora, todos colhemos as doenças que surgem desta terrível mentira em longo prazo.

Humildade, tranquilidade e ousadia para dizer não a esta bizarrice que caracteriza todas as diretrizes que regem nossos pratos, tempo, desejos e necessidades. Nada mais é necessário. Assista ao vídeo de Bomeny clicando na imagem abaixo!

Um grande abraço repleto de carinho da Juliana Szabluk

 

 

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Suzana Santos

Obrigada Ju por escrever sobre o video eu não tenho Instagram e não quero ter. Obrigada.